Resposta rápida: o currículo em inglês para vaga internacional (o resume nos Estados Unidos, o CV na Europa) tem uma página, no máximo duas, e uma coluna só. Ele começa com contato, o cargo que você quer e um resumo de três linhas, e segue com experiência em resultados com número, skills, formação e idiomas. Não leva foto, idade, estado civil, CPF nem endereço completo. Para ser um currículo ATS, ou ATS friendly, ele precisa ser lido sem erro pelos sistemas de recrutamento como Greenhouse, Lever e Workday: títulos de seção padrão, nada de tabela, coluna, ícone ou caixa de texto, e as palavras-chave escritas do jeito que a vaga escreve. E, além de passar no ATS, ele precisa contar uma história: os últimos três anos apontando para o cargo que você quer.

Este guia é a segunda etapa da série do #jobnagringa. Se você ainda está procurando onde aplicar, comece por Encontre vagas home office pagando em dólar.

Neste guia

  1. Seu currículo é o problema? O teste de 1 minuto

  2. Resume, CV ou currículo: qual usar para vaga internacional

  3. O que é ATS e como ele lê o seu currículo

  4. Formato do currículo ATS: layout, fonte e arquivo

  5. O que tirar do currículo brasileiro

  6. Trajetória profissional: a história que os seus últimos três anos contam

  7. A estrutura do currículo em inglês, seção a seção

  8. Modelo de currículo ATS em inglês para copiar

  9. Palavras-chave para currículo em inglês por área

  10. Como adaptar o currículo para cada vaga em 15 minutos

  11. Teste de currículo ATS: como saber se o seu passa

  12. Use IA sem virar mais um currículo genérico

  13. Júnior, transição de carreira ou pouca experiência

  14. Erros que fazem o recrutador gringo descartar o currículo

  15. Checklist antes de enviar

  16. Perguntas frequentes

  17. Depois do currículo: os próximos passos

  18. Monte seu currículo com o #jobnagringa

Seu currículo é o problema? O teste de 1 minuto

Antes de reescrever tudo, descubra onde você trava. A regra que uso com a comunidade #jobnagringa é simples:

  • Você se candidata e não é chamado para nenhuma entrevista: o problema está no currículo, ou nas vagas que você escolhe. É aqui que este guia ajuda.

  • Recrutadores não te encontram nem te chamam no LinkedIn: o problema está no perfil, assunto do próximo post da série.

  • Você é chamado, mas não passa da primeira conversa: o problema está na comunicação e no posicionamento, não no papel.

Muita gente me escreve dizendo que adapta o currículo para cada vaga e mesmo assim não passa do filtro inicial. Quase sempre o motivo é um destes três: o sistema não consegue ler o arquivo, as palavras-chave da vaga não estão lá, ou o texto descreve tarefas em vez de resultados.

O tempo de atenção é curto. Em 2018, um estudo de rastreamento ocular da Ladders mostrou que recrutadores formam a primeira opinião sobre um currículo em cerca de 7,4 segundos (Ladders). E antes de chegar a uma pessoa, o currículo quase sempre passa por um ATS: a Jobscan identificou esse tipo de sistema em 97,4% das empresas da Fortune 500 em 2026 (Jobscan).

Resume, CV ou currículo: qual usar para vaga internacional

Nos Estados Unidos e no Canadá, o documento de uma ou duas páginas que você manda para uma vaga se chama resume (ou résumé). Por lá, CV é outra coisa: o documento acadêmico longo, com publicações, pesquisas e congressos. No Reino Unido, na Irlanda e em boa parte da Europa, CV é o nome do mesmo documento curto que os americanos chamam de resume.

Na prática, se a vaga pede "resume" ou "CV", mande o currículo de uma ou duas páginas descrito neste guia: para vaga remota, o CV em inglês e o resume em inglês são o mesmo documento. Só monte um CV acadêmico se a vaga for de pesquisa ou de docência universitária. Existe também o Europass, o modelo de CV da União Europeia; use só se a vaga pedir esse formato.

E a dúvida "currículo em inglês ou em português?" tem resposta curta: para empresa de fora, sempre em inglês, mesmo que o recrutador seja brasileiro. Guarde a versão em português para vagas no Brasil.

O que é ATS e como ele lê o seu currículo

ATS (applicant tracking system, ou sistema de rastreamento de candidatos) é o software que o RH usa para receber e organizar as candidaturas de uma vaga. Ele funciona como uma caixa de entrada com banco de dados: guarda os currículos, separa os candidatos por etapa e deixa o recrutador pesquisar e filtrar quem se candidatou. Lá fora, os mais comuns são Greenhouse, Lever, Workday, iCIMS e Ashby; no Brasil, o exemplo mais conhecido é a Gupy. Num levantamento da Jobscan com currículos enviados a mais de 12 mil empresas, o Greenhouse aparece em 19,3% delas, o Lever em 16,6%, o Workday em 15,9% e o iCIMS em 15,3% (Jobscan).

como o ats le o curriculo

Como o sistema ATS funciona, passo a passo

  1. Leitura do arquivo. Quando você sobe o currículo, o ATS extrai o texto e tenta encaixar cada parte num campo: nome, contato, cargos, empresas, datas, formação e skills. Esse processo se chama parsing, e é por causa dele que o formulário de muitas vagas aparece preenchido logo depois do upload.

  2. Perguntas do formulário. País de residência, autorização de trabalho, pretensão salarial, anos de experiência. Algumas são eliminatórias e podem descartar a candidatura automaticamente. É aqui que mora o filtro automático de verdade.

  3. Busca e filtros do recrutador. Com centenas de candidaturas, o recrutador pesquisa por palavra-chave e filtra. Numa pesquisa da Jobscan com 384 recrutadores, mais de 99% disseram usar filtros: 76% filtram por skills, 55% por cargo e 44% por anos de experiência (Jobscan).

  4. Nota de aderência. Alguns sistemas dão uma nota de compatibilidade entre o currículo e a vaga, cada vez mais com IA. Recrutadores ouvidos pela Enhancv disseram que cerca de 44% das plataformas que usam têm esse recurso, mas a maioria desliga ou usa a nota só como ponto de partida (IT Brief).

  5. Leitura humana. Quem aparece nos filtros chega a uma pessoa, que decide em segundos se vale a entrevista.

O ATS reprova currículo sozinho? O mito dos 75%

Você já deve ter lido que "75% dos currículos são rejeitados pelo robô antes de uma pessoa ver". O número circula há anos sem uma fonte verificável. Numa pesquisa da Enhancv com 25 recrutadores americanos, divulgada em novembro de 2025, 92% disseram que o sistema deles não descarta currículos automaticamente por formatação, design, falta de palavras-chave ou nota baixa de IA. Os filtros automáticos ficam para requisitos legais e eliminatórios, como autorização de trabalho, licenças obrigatórias e localização (IT Brief). É uma amostra pequena, mas bate com o que vemos na comunidade.

Isso não quer dizer que o formato não importa. O risco real é mais silencioso: se o ATS lê o seu arquivo errado, os campos ficam vazios ou trocados; se as palavras que o recrutador pesquisa não estão no texto, você não aparece na busca. Em vaga remota internacional, que recebe candidaturas do mundo inteiro, não aparecer na busca dá no mesmo que ser reprovado. E como os filtros eliminatórios costumam ser de localização, vale ler para onde a vaga contrata antes de aplicar, como mostramos no guia para encontrar vagas em dólar.

O que faz o ATS ler o seu currículo errado

A central de ajuda do Greenhouse, um dos ATS mais usados por empresas de tecnologia, lista o que atrapalha a leitura: arquivo acima de 2,5 MB, currículo enviado como imagem, tabelas, colunas, caixas de texto, cabeçalho e rodapé do documento, gráficos, letras separadas por espaço, seções sem título claro e cargos abreviados (Greenhouse). Quando a leitura falha, o currículo fica só anexado ao perfil, sem os campos preenchidos, e o recrutador precisa digitar os dados à mão. Na prática, você fica de fora das buscas por cargo e por skill.

O que é um currículo ATS friendly

Currículo ATS friendly é o que o sistema consegue ler do começo ao fim, na ordem certa, e que tem as palavras que o recrutador vai pesquisar. Não existe currículo "aprovado pelo ATS": existe arquivo que o sistema lê bem e texto que responde à vaga. A primeira parte é formato, a próxima seção. A segunda é conteúdo, o resto deste guia.

Formato do currículo ATS: layout, fonte e arquivo

Uma página é o padrão para quem tem até uns dez anos de experiência; duas, no máximo, para carreiras mais longas. Recrutador não vira página procurando o que importa, mas o ATS não penaliza uma segunda página bem usada (Resume.io).

Layout: uma coluna e títulos padrão

Use uma coluna só, do topo ao fim. O ATS lê linha por linha, da esquerda para a direita, e um layout de duas colunas pode virar uma mistura de frases das duas. Escreva os títulos de seção do jeito que o sistema espera (Summary, Experience ou Work Experience, Skills, Education) e deixe nome e contato no corpo do documento, nunca no cabeçalho ou no rodapé do Word e do Google Docs. Nada de tabela, caixa de texto, ícone, barra de nível, foto ou linha decorativa. Nos bullets, use o marcador simples, ponto ou hífen, em vez de setas e símbolos personalizados (Indeed, Resume.io).

Fonte, tamanho e datas

Use uma fonte comum, como Arial, Calibri, Georgia, Garamond ou Times New Roman, com o texto entre 10 e 12 pontos e margens de cerca de 2 cm. Fontes decorativas e ícones podem virar símbolos estranhos quando o ATS extrai o texto (Jobscan).

As experiências vão em ordem cronológica reversa, da mais recente para a mais antiga. Escreva as datas com mês e ano, sempre no mesmo padrão, como "Mar 2022 - Present". Use verbos no passado para cargos anteriores e no presente só para o atual. Não escreva "I" nem "my": o currículo em inglês é escrito sem sujeito, começando direto pelo verbo.

PDF ou Word: qual arquivo mandar

Aqui as fontes divergem, e vale entender por quê. O Indeed e o Resume.io dizem que o .docx é o formato mais seguro, a menos que a vaga peça PDF. A Jobscan e o curso do #jobnagringa recomendam PDF. Os ATS mais comuns em vaga remota leem os dois: o Greenhouse, por exemplo, processa .docx e .pdf e só não lê imagem (Greenhouse). O problema nunca é o PDF em si, é o PDF que na verdade é uma foto do texto, como o escaneado ou o exportado como imagem.

A regra prática: siga o que a vaga pedir. Se ela não disser nada, mande PDF gerado a partir de texto, com menos de 2,5 MB, e confira se dá para selecionar o texto. Dê ao arquivo um nome que o recrutador encontre depois: Nome-Sobrenome-Resume-Cargo.pdf. "curriculo_final_v3.pdf" passa a impressão de desorganização.

Canva, Google Docs ou Word: onde fazer o currículo ATS

Entre os modelos de currículo ATS que circulam na internet, os mais bonitos costumam ser os que o sistema lê pior. No Canva, muitos modelos usam caixas de texto, colunas e fontes decorativas, e alguns PDFs saem achatados como imagem, o que faz o sistema ver uma página em branco (Novorésumé). Mesmo os modelos vendidos como "ATS friendly" precisam passar pelo teste de leitura antes de você usar.

O caminho mais seguro é o Google Docs ou o Word com um modelo de uma coluna. No Google Docs, os modelos prontos ficam em Google Drive, Novo, Documentos Google, De um modelo (Indeed). Ou copie o modelo deste guia num documento em branco. Se você é designer, o seu olhar visual aparece no portfólio; o currículo continua simples.

O que tirar do currículo brasileiro

O currículo brasileiro tradicional leva informações que, nos Estados Unidos e no Canadá, ficam de fora porque abrem espaço para discriminação na seleção. A orientação de universidades norte-americanas para candidatos estrangeiros é deixar só nome e contato como dados pessoais (Memorial University). Tire:

  • foto (ela fica no LinkedIn);

  • idade, data de nascimento, estado civil, filhos e gênero;

  • CPF, RG e CNH, a não ser que a vaga peça;

  • endereço completo (cidade e país bastam);

  • "Objetivo: busco uma oportunidade de crescimento...", porque todo mundo busca e ninguém lê;

  • "Pacote Office avançado", que hoje soa como "sei usar garfo";

  • "Referências disponíveis mediante solicitação";

  • cursos curtos sem relação com a vaga e experiências antigas que não ajudam a contar sua história.

matriz o que entra no curriculo

Trajetória profissional: a histórias que os seus últimos três anos contam

Passar no ATS faz o seu currículo aparecer na busca. Quem decide se você vai para a entrevista é uma pessoa, e ela lê o currículo como uma história: de onde você vem, o que você vem fazendo e se isso aponta para a vaga dela.

Essa leitura é rápida e começa sempre pelos mesmos lugares. No estudo de rastreamento ocular da Ladders de 2012, quase 80% do tempo que os recrutadores passaram em cada currículo foi gasto em seis pontos: nome, cargo e empresa atuais, cargo e empresa anteriores, as datas desses dois cargos e a formação (Ladders). Para a maioria das pessoas, cargo, empresa e datas dos dois últimos empregos cobrem os últimos três anos. Se essa parte não aponta para o cargo da vaga, os bullets mais bem escritos nem chegam a ser lidos.

A boa notícia é que você não precisa mudar a sua história, só contá-la na ordem certa. Como respondi a um seguidor que passou muitos anos na mesma empresa: tempo de casa não é problema, é prova de entrega. O ajuste está no posicionamento.

Comece pelo fim: o que você quer e o que você não quer

O currículo não é uma autobiografia. É um argumento a favor de um próximo passo, então a primeira coisa é decidir qual é esse passo. Complete esta frase antes de escrever qualquer linha: "Quero ser [cargo] em [tipo de empresa ou setor], usando [duas ou três competências]. Não quero mais [o que você quer deixar para trás]." Ela vira o filtro de tudo o que entra no currículo.

No curso do #jobnagringa, usamos quatro perguntas para separar o que entra do que sai:

  • O que você ama fazer e faz bem: é o centro do currículo. Vai no título, no resumo e nos primeiros bullets.

  • O que você não ama fazer, mas faz bem: é a armadilha. Se aparecer em destaque, é para isso que vão te contratar de novo. Resuma em uma linha ou tire.

  • O que você ama fazer, mas ainda faz mal: entra como aprendizado, em projetos e cursos, nunca como experiência que você não tem.

  • O que você não ama e não faz bem: fica de fora.

A The Muse dá a mesma orientação para quem muda de direção: tire da seção de skills as habilidades que você não quer mais usar, mesmo que domine, e não as repita se elas precisarem aparecer na descrição de um cargo antigo (The Muse). Uma assistente executiva que está mudando de área não precisa listar ferramentas de agenda e de reserva de voo.

E se você é generalista? Uma dúvida comum nas mensagens que recebo é algo como "faço design, programo e cuido de marketing; isso é bom ou ruim lá fora?". Depende do alvo. Empresa grande tem muitos departamentos e contrata especialista. Na empresa pequena gringa, você é o departamento, e saber fazer um pouco de tudo vale muito. Mesmo assim, escolha uma identidade principal e mostre o resto como apoio: "product designer que também entrega front-end" é uma história; "designer, dev e marketing" são três currículos num só.

A timeline dos últimos três anos é a sua prova

Pegue os últimos 36 meses e escreva, semestre a semestre, quatro coisas: o cargo, o escopo (pessoas, clientes, orçamento ou usuários), o principal resultado e a competência que você mais usou. Depois, olhe para essa lista com os olhos de quem vai te contratar:

  • O escopo cresce? Mais responsabilidade, mais gente, mais dinheiro ou mais complexidade ao longo do tempo é a forma mais convincente de mostrar senioridade.

  • Existe um fio condutor? Uma competência central que aparece em todos os períodos, mesmo com cargos diferentes.

  • O cargo mais recente é o mais parecido com a vaga? Se não for, os bullets dele precisam mostrar o que já aponta para lá.

Promoção na mesma empresa é prova forte de crescimento, e muita gente esconde: coloca só o último cargo com a data de entrada na empresa. Escreva a empresa uma vez e liste cada cargo embaixo, com o próprio período e os próprios resultados (Hcareers).

Acme Pay (Brazilian fintech, 300 employees) | São Paulo, Brazil
Senior Product Designer | Jan 2025 - Present
- Lead designer for the merchant dashboard, used by 40,000 businesses.
Product Designer | Mar 2023 - Dec 2024
- Redesigned onboarding, raising 7-day activation from 41% to 58%.

O espaço de cada cargo segue a mesma lógica: o atual ganha de quatro a cinco bullets, o anterior dois ou três, e experiências antigas ou fora da história podem ir para uma seção curta no fim, "Earlier Experience", com cargo, empresa e uma linha. A Jobscan sugere cobrir de 10 a 15 anos e lembra que recrutadores se importam mais com o que você fez recentemente (Jobscan).

Como encaixar o que não segue em linha reta

Carreira de verdade tem curva. O que não pode é a curva parecer acidente. Herminia Ibarra, professora da London Business School, e Kent Lineback mostraram na Harvard Business Review que uma boa história de mudança tem coerência e continuidade: deixa claro o que você leva de antes e por que o próximo passo faz sentido. O erro mais comum, segundo eles, é listar empregos em ordem e terminar com uma lista vaga de interesses (Ibarra e Lineback). No currículo, isso se traduz assim:

  • Transição de carreira: o resumo diz para onde você vai; os bullets do cargo antigo mostram os resultados que se transferem, sem distorcer o que você fez; e a seção "Projects" mostra a nova competência sendo construída.

  • Cargo que você não quer repetir: não apague, porque um buraco chama mais atenção. Mantenha a entrada com uma ou duas linhas que apontem para o alvo, como a automação que você criou enquanto fazia suporte.

  • Passagens curtas: dê contexto entre parênteses, como "(6-month contract)" ou "(company acquired)". Sem isso, o recrutador conclui que você sai rápido.

  • Freelas e PJ: agrupe numa experiência só e escolha os clientes que contam a história que você quer contar.

  • Pausas: uma linha honesta resolve, como "Career break | 2024 | Relocation and AWS certification". O LinkedIn tem até um tipo de experiência chamado "career break".

Prova que a recrutadora consegue checar

Cada ponto alto da sua timeline precisa deixar rastro: um case no portfólio, um repositório no GitHub, um artigo publicado, a página de um produto que você lançou, uma certificação com data ou uma recomendação no LinkedIn de quem trabalhou com você. No curso, a gente repete: você só é bom quando outra pessoa diz. Datas, cargos e números precisam ser os mesmos no currículo, no LinkedIn e na entrevista, porque a recrutadora confere.

Cada um desses pontos altos também vira uma história pronta para a entrevista. Tenha três ou quatro, com o problema, o que você fez e o resultado, e adapte à pergunta que vier.

A mesma trajetória contada de dois jeitos

Lucas trabalhou três anos com marketing numa startup brasileira. Quer ser growth marketing manager numa empresa B2B SaaS e não quer mais cuidar de redes sociais. Na primeira versão, ele lista tudo com o mesmo peso:

Marketing Analyst | Startup X | 2022 - Present
- Managed social media, created designs, organized events, ran paid ads, wrote blog posts and sent newsletters.

Na segunda, a promoção aparece, o fio condutor (aquisição e conversão) fica claro e redes sociais viram uma linha de apoio:

Startup X (Brazilian B2B SaaS, 120 employees) | Remote
Growth Marketing Analyst | Jan 2024 - Present
- Cut paid CAC by 32% in 6 months by rebuilding Google Ads campaigns and landing pages.
- Built a lifecycle email program in HubSpot that lifted trial-to-paid conversion from 9% to 13%.
Marketing Analyst | Mar 2022 - Dec 2023
- Ran paid acquisition on Google and Meta with a USD 15K monthly budget.
- Supported social media and events for product launches.

O conteúdo é o mesmo. A história é outra, e a recrutadora entende em segundos para onde o Lucas está indo.

anatomia do curriculo em ingles 1

A estrutura do currículo em inglês, seção a seção

Use os títulos de seção em inglês e no formato padrão: Summary (ou Professional Summary), Experience (ou Work Experience), Skills, Education, Languages e Certifications. O ATS usa esses nomes para separar experiência, skills e formação; títulos criativos, como "My Journey", atrapalham a leitura (Indeed).

1. Cabeçalho: nome, cargo-alvo e contato

No topo, seu nome e, logo abaixo, o cargo que você quer, escrito como aparece nas vagas, por exemplo "Senior Software Engineer" ou "Customer Success Manager". Depois, numa ou duas linhas: cidade e país com a indicação de remoto e fuso, como "São Paulo, Brazil (Remote, GMT-3)"; telefone com +55; um e-mail profissional; o link do LinkedIn com URL personalizada; e o portfólio ou GitHub, se fizer sentido na sua área.

O cargo-alvo no topo não é enfeite. Numa análise de 2,5 milhões de candidaturas, a Jobscan viu que currículos com o mesmo cargo da vaga tiveram uma taxa de entrevista cerca de 10,6 vezes maior (Jobscan). É correlação, não garantia, mas faz sentido: mais da metade dos recrutadores filtra candidatos por cargo.

Coloque tudo isso no corpo do documento, não no cabeçalho do Word ou do Google Docs: muitos ATS ignoram o que está em header e footer. Se você busca vagas de contractor, uma linha como "Available as an independent contractor" deixa claro que a contratação é simples.

2. Summary: o resumo profissional em três linhas

O resumo substitui o antigo "objetivo". Em três linhas, diga quem você é, o que domina e o seu melhor resultado. Uma estrutura que funciona: cargo e anos de experiência no seu setor, as duas ou três hard skills que a vaga pede, o resultado mais forte com número e, se tiver, um sinal de experiência internacional.

Senior Software Engineer with 8 years building B2B SaaS products with TypeScript, React and Node.js. Led the rebuild of a payments dashboard used by 40,000 merchants, cutting load time by 60%. Used to async work with US-based teams and a 4-hour EST overlap.

Evite adjetivos que todo mundo usa, como "passionate", "hardworking" e "team player". Eles ocupam espaço e não provam nada.

O resumo é também a síntese da sua trajetória. Se você está mudando de direção, use a lógica de presente, passado e futuro, a mesma da pergunta "tell me about yourself" (TIME): o que você faz hoje, o que traz de antes e para onde vai. Essa última parte não é o velho objetivo genérico; ela é específica, como "Now focused on lifecycle and retention for B2B SaaS".

3. Experience: resultado, não tarefa

Cada experiência começa com cargo, empresa, cidade e país (ou "Remote") e o período, na mesma linha e separados por barra vertical, como no modelo abaixo. Escreva cargo e empresa por extenso: abreviações como "Sr. Mktg Analyst" podem não ser reconhecidas pelo ATS (Greenhouse). Embaixo, de três a cinco bullets, mais para o cargo atual e menos para os antigos. Cada bullet segue a mesma fórmula: verbo de ação no passado, o que você fez e o resultado com número.

Compare. "Responsible for the company's social media" descreve uma função. "Grew Instagram and LinkedIn audience from 8K to 45K in 12 months by launching a weekly video series, generating 300+ inbound leads" mostra um resultado. Do mesmo jeito, "Customer support" vira "Handled 60+ Zendesk tickets a day with a 96% CSAT and wrote 40 help-center articles that cut repeat tickets by 18%."

Comece os bullets com verbos fortes: led, built, launched, increased, reduced, automated, negotiated, designed, shipped, migrated, closed, implemented. Se você não tem acesso às métricas, use escopo: quantos clientes ou usuários, o tamanho do orçamento ou do time, quanto tempo você economizou, como era antes e como ficou depois. Valores em real confundem o recrutador: converta para dólar ou use porcentagem.

Três ajustes que só brasileiro precisa fazer:

  • Empresa desconhecida lá fora ganha contexto. Ao lado do nome, explique em poucas palavras: "(Brazilian fintech, 300 employees)". O recrutador não sabe o que é a sua empresa, e esse detalhe mostra a escala do que você fez.

  • Cargo traduzido para o equivalente de mercado, sem inflar. "Analista de Marketing Pleno" que fazia growth pode virar "Growth Marketing Analyst". Virar "Head of Growth" não. Pleno é mid-level; nunca use "plain".

  • Freelas e PJ com vários clientes viram uma experiência só. Use algo como "Freelance Product Designer, Remote" com os principais clientes nos bullets. Muitas passagens curtas soltas fazem o recrutador achar que você vai sair rápido.

4. Skills

Liste hard skills que você consegue provar numa entrevista, em termos curtos de uma ou duas palavras, como "financial modeling" ou "data entry", agrupados por tipo: linguagens, ferramentas, metodologias. Escreva como a vaga escreve, e use a sigla e o nome por extenso pelo menos uma vez, como "Search Engine Optimization (SEO)" ou "Customer Relationship Management (CRM)": o recrutador pode pesquisar qualquer uma das duas formas (Indeed). Nada de barras de nível, estrelas ou porcentagens: o ATS não lê gráfico, e "Excel 80%" não significa nada para ninguém. Soft skills funcionam melhor dentro dos bullets, provadas por um resultado, do que soltas numa lista.

5. Education: como traduzir sua formação

Escreva o nome da universidade no original, com a sigla e o país, como "Universidade de São Paulo (USP), Brazil". Traduza o nome do curso:

  • Bacharelado vira "Bachelor of Science (B.S.) in" ou "Bachelor of Arts (B.A.) in", conforme a área.

  • Licenciatura vira "Bachelor's degree in", e você pode acrescentar "(teaching degree)" se for relevante.

  • Tecnólogo não tem equivalente exato. Escreva "Technology Degree in" e informe a duração do curso entre parênteses.

  • Especialização (pós lato sensu) vira "Postgraduate Specialization in". O MBA brasileiro é especialização, não mestrado: "MBA (postgraduate specialization)" evita criar uma expectativa errada.

  • Mestrado vira "Master of Science (M.Sc.) in" ou "Master's degree in"; doutorado, "Ph.D. in".

  • Curso técnico vira "Technical Diploma in".

Basta o ano de conclusão. Curso em andamento leva "Expected" e a data prevista, como "Expected Dec 2027". Se você já trabalha na área há alguns anos, a formação vai para o fim do currículo: em vaga remota internacional, ela pesa bem menos que a experiência. Validação de diploma e tradução juramentada só entram em profissões regulamentadas ou em processos de mudança de país; para isso, veja validação de diploma e tradução juramentada.

6. Languages e certificações

Na seção de idiomas, nunca escreva "Intermediate English". Para o recrutador gringo, isso soa como "não fala". Use o nível real pelo quadro europeu (CEFR), como "English: Fluent (C1)" ou "Professional working proficiency (B2)", ou a nota de um exame reconhecido. Se o seu nível ainda não chegou ao B2, é melhor tirar a linha do que se desqualificar sozinho. O português entra como "Native", e espanhol conta ponto em vagas para a América Latina.

Exames como IELTS, TOEFL, Cambridge e Duolingo English Test dão peso ao que você declara; compare em certificações de inglês. Certificações técnicas da sua área (AWS, Google Ads, HubSpot, Salesforce, PMP, Scrum) vão em "Certifications", com o ano.

7. Seções opcionais

"Projects" é a seção que mais ajuda quem está começando ou mudando de área: projeto pessoal, open source, freela pequeno ou trabalho voluntário, com o mesmo formato de resultado. Prêmios, palestras e publicações entram se forem relevantes para a vaga. Portfólio é obrigatório em design, conteúdo, vídeo e, cada vez mais, em produto e dados; ele precisa estar a um clique, público e sem senha. Veja onde montar o seu em portfólio, com opções como GitHub, Behance e Framer.

Modelo de currículo ATS em inglês para copiar

Este é um exemplo de currículo em inglês completo, no formato ATS, para um desenvolvedor sênior. Copie para um documento em branco no Google Docs ou no Word, troque cargo, empresas, números e ferramentas pelos seus e mantenha a ordem e os nomes das seções em inglês. Para outras profissões, use as palavras-chave por área mais abaixo.

MARIANA COSTA
Senior Software Engineer
São Paulo, Brazil (Remote, GMT-3) | +55 11 90000-0000 | mariana.costa@example.com
linkedin.com/in/seunome | github.com/seunome

SUMMARY
Senior Software Engineer with 8 years building B2B SaaS products with TypeScript, React and Node.js. Led the rebuild of a payments dashboard used by 40,000 merchants, cutting load time by 60%. Used to async work with US-based teams and a 4-hour EST overlap.

EXPERIENCE
Senior Software Engineer | Acme Pay (Brazilian fintech, 300 employees) | São Paulo, Brazil | Mar 2022 - Present
- Led a 5-engineer squad that rebuilt the merchant dashboard in React and TypeScript, reducing page load time from 6s to 2.4s.
- Designed and shipped a Node.js reconciliation service that processes 2M transactions a day, cutting manual finance work by 30 hours a week.
- Introduced automated testing and code review guidelines, raising test coverage from 35% to 80% in 9 months.
- Mentored 3 junior developers; 2 were promoted to mid-level within a year.

Software Engineer | Beta Commerce (e-commerce platform, 80 employees) | Remote | Jan 2019 - Feb 2022
- Built checkout features in React used by 1,200 online stores, increasing conversion by 12%.
- Migrated legacy PHP endpoints to Node.js on AWS Lambda, lowering infrastructure costs by 25%.
- Worked daily with a US-based product team through Slack, Jira and weekly demos in English.

Frontend Developer | Freelance | Remote | Jun 2017 - Dec 2018
- Delivered 14 websites and landing pages for clients in Brazil and Portugal using React and WordPress.

SKILLS
Languages and frameworks: TypeScript, JavaScript, React, Next.js, Node.js, Python
Cloud and tools: AWS (Lambda, S3, RDS), Docker, PostgreSQL, Redis, GitHub Actions
Practices: automated testing (Jest, Cypress), CI/CD, code review, Agile (Scrum)

EDUCATION
Bachelor of Science in Computer Science | Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brazil | 2018

LANGUAGES
Portuguese: Native | English: Fluent (C1) | Spanish: Professional working proficiency (B2)

CERTIFICATIONS
AWS Certified Developer - Associate | 2024

Se preferir partir de um editor pronto, veja as ferramentas de criação de currículo do hub, como Teal, Kickresume, Enhancv e Novorésumé. Escolha um modelo de uma coluna e rode o teste de leitura antes de usar.

Palavras-chave para currículo em inglês por área

Nas páginas de cada área do #jobnagringa, resumimos o que as vagas remotas abertas a brasileiros mais pedem. Use esses termos no summary, nos bullets e em skills, desde que você consiga prová-los. Abaixo, um exemplo de bullet em inglês para cada área.

Desenvolvimento de software

As vagas pedem domínio real de uma stack, com projetos que você consiga defender em detalhe, além de Git, testes automatizados e code review como rotina, e experiência com cloud (AWS, GCP ou Azure). GitHub e LinkedIn em inglês fazem parte do pacote. Exemplo: "Reduced API p95 latency from 900ms to 250ms by adding Redis caching and query indexing in PostgreSQL." Veja as vagas de desenvolvimento.

Dados e analytics

SQL avançado aparece em quase todo teste técnico, ao lado de Python ou R, ferramentas de BI como Looker, Tableau e Power BI, e modelagem com dbt. O que separa júnior de sênior é traduzir número em recomendação de negócio. Exemplo: "Built a churn dashboard in Looker that identified 3 at-risk segments, informing a retention campaign that saved USD 180K in annual revenue." Veja as vagas de dados.

Vendas

A primeira coisa que perguntam é meta batida, com número. Depois vêm CRM (Salesforce, HubSpot), cadência de prospecção, venda B2B com ciclo longo, que é o padrão em SaaS, e disponibilidade no horário comercial dos EUA. Exemplo: "Closed USD 1.2M in new ARR in 2025 (128% of quota) selling to mid-market SaaS companies in North America." Veja as vagas de vendas.

Marketing

Mostre números seus, não da empresa: CAC, conversão, crescimento de canal. As ferramentas mais citadas são GA4, HubSpot, Meta Ads e Google Ads, e o marketing B2B e SaaS domina as vagas. Um case aberto no portfólio vale mais que uma lista de responsabilidades. Exemplo: "Cut paid acquisition CAC by 32% in 6 months by rebuilding Google Ads campaigns around high-intent keywords and new landing pages." Veja as vagas de marketing.

Produto

As vagas de product manager pedem discovery (entrevista com usuário, priorização e a decisão de não fazer), métricas de produto como ativação e retenção com um número que você mexeu, fluência com o time técnico e escrita de PRD em inglês. Exemplo: "Redesigned onboarding based on 25 user interviews, raising 7-day activation from 41% to 58%." Veja as vagas de produto.

Design

Portfólio com processo (problema, hipótese, decisão, resultado), Figma avançado com componentes e design system, e capacidade de trabalhar dentro de um sistema existente. Em UX, conta muito mostrar uma pesquisa que mudou uma decisão de produto. Exemplo: "Led the redesign of the checkout flow in Figma, tested with 12 users, increasing mobile conversion by 9%." Veja as vagas de design.

Customer success e suporte

Conhecimento profundo do produto, métricas de retenção (churn, NRR, health score) e ferramentas como Zendesk, Intercom e Gainsight. Renovação, upsell e cliente insatisfeito fazem parte do dia a dia. Exemplo: "Managed a USD 2.4M book of 60 mid-market accounts with 112% net revenue retention." Veja as vagas de customer success.

Finanças e contabilidade

Excel e modelagem financeira em nível avançado, sempre testados, ERPs como NetSuite, QuickBooks e SAP, e métricas de SaaS (MRR, ARR, churn, burn) em startups. US GAAP aparece com frequência e costuma ser a maior lacuna de quem vem do Brasil. Exemplo: "Built a 3-statement financial model in Excel used by the CFO to plan a USD 15M Series B raise." Veja as vagas de finanças.

Assistente virtual

Organização e antecipação, ferramentas como Google Workspace, Notion, Slack e Calendly, gestão de agenda entre fusos diferentes e discrição com informação sensível. Exemplo: "Managed calendar, travel and inbox for 2 US-based executives across 3 time zones, freeing 10+ hours a week of their time." Veja as vagas de assistente virtual.

Para as outras áreas, veja o que as empresas pedem em vagas remotas por área.

Como adaptar o currículo para cada vaga em 15 minutos

Mandar o mesmo arquivo para 100 vagas rende menos do que mandar uma versão ajustada para 20. Um processo rápido:

  1. Mantenha um currículo-mestre em inglês com todas as suas experiências e bullets. Cada versão nasce dele, e uma planilha ou uma ferramenta como o Huntr ajuda a saber qual versão foi para qual vaga.

  2. Cole a descrição da vaga num documento e marque o cargo exato, a senioridade, as hard skills, as ferramentas e o setor.

  3. Ajuste o cargo do cabeçalho para o título exato da vaga, desde que seja honesto. É o ajuste que mais pesou no estudo da Jobscan citado acima.

  4. Reescreva o summary com as duas ou três palavras-chave principais da vaga.

  5. Reordene os bullets para que os que provam os requisitos venham primeiro.

  6. Espelhe na seção de skills a grafia que a vaga usa: se ela escreve "Customer Success", não deixe só "CS".

  7. Rode o teste de leitura abaixo e salve com o nome certo.

Não encha o texto de palavras soltas para agradar o sistema. Repetir palavra-chave deixa o currículo cansativo para quem lê (Indeed), e o recrutador vai perguntar na entrevista sobre cada ferramenta listada.

Se você atende a cerca de 60% dos requisitos, aplique. Requisito de vaga é lista de desejos, e os candidatos gringos sabem disso.

Teste de currículo ATS: como saber se o seu passa

Teste do copiar e colar. Abra o PDF, selecione tudo, copie e cole num bloco de notas. Se o texto sair fora de ordem, com palavras grudadas, colunas misturadas ou partes faltando, o ATS vai ler do mesmo jeito. Se você não consegue selecionar o texto, o arquivo é uma imagem e o sistema não lê nada.

Análise de currículo ATS com a vaga. Ferramentas como a Jobscan e o Teal comparam seu currículo com a descrição da vaga e mostram as palavras-chave que faltam; algumas têm plano gratuito com limite de análises. Use como checagem, não como meta de pontuação: nenhuma delas é o ATS da empresa, e encher o texto de palavras soltas piora a leitura para o recrutador.

O próprio formulário. Muitos formulários de candidatura preenchem os campos automaticamente a partir do currículo. Se o nome, os cargos e as datas aparecem certos, o sistema leu bem. Se vêm vazios ou embaralhados, a leitura falhou ou foi parcial: simplifique o arquivo antes de enviar.

Use IA sem virar mais um currículo genérico

ChatGPT, Gemini e Claude ajudam a traduzir e a escrever bullets melhores, mas não sabem o que você fez. Três prompts que funcionam, em inglês, trocando o que está entre colchetes:

Prompt 1: transforme sua experiência em bullets

Here is my work experience in Portuguese. Rewrite it as 3 to 5 resume bullet points in English for a [cargo] role at a US company. Start each bullet with a strong past-tense action verb, keep each one under 25 words and use the numbers I gave. Do not invent numbers, tools or results; where a metric is missing, write [METRIC] so I can fill it in. [cole sua experiência]

Prompt 2: descubra as palavras-chave que faltam

Compare my resume with this job description. List the hard skills, tools and job-title keywords from the job description that are missing from my resume, and the ones I have but wrote differently. Do not rewrite my resume. Resume: [cole o currículo] Job description: [cole a vaga]

Prompt 3: revisão com olhar de recrutador

Act as a US recruiter screening resumes for a [cargo] role. You have 10 seconds. Tell me what you understood about me, what is unclear, and the 5 changes that would most improve my chances. Flag any wording or formatting that sounds unnatural in US English or looks like a Brazilian resume.

Três cuidados. Não deixe a IA inventar números nem ferramentas que você não usa, porque isso aparece na entrevista. Não monte o currículo só em cima da descrição da vaga em que vai se candidatar: o resultado vira uma cópia da vaga. Uma dica do curso #jobnagringa é usar vagas parecidas de outras empresas como base e depois ajustar. E revise o inglês do texto final com um corretor como Grammarly ou LanguageTool. Ferramentas de candidatura automática com IA aceleram o envio, mas currículo genérico em massa costuma render pouca resposta.

Júnior, transição de carreira ou pouca experiência

Lá fora, "junior" costuma pedir pelo menos dois anos de experiência, e vagas de entrada sem experiência nenhuma são raras no mercado remoto internacional. Se você está nessa fase, o currículo precisa compensar com prova: a seção "Projects" vem antes de "Experience", com projetos pessoais, freelas, open source ou voluntariado descritos com resultado. Certificações reconhecidas e um portfólio público pesam mais do que cursos curtos.

Em transição de carreira, mostre o que você leva da área anterior. Quem vem do atendimento para customer success tem métricas de satisfação e volume. Quem vem do jornalismo para conteúdo tem alcance e publicações. O summary deve dizer com clareza para onde você está indo, e os bullets devem provar as habilidades que se transferem. Se quiser alguém revisando seu currículo de perto, veja as mentorias e a consultoria de carreira do hub.

Erros que fazem o recrutador gringo descartar o currículo

  • Escrever "Intermediate English" ou não informar nível nenhum.

  • Mandar três ou quatro páginas.

  • Enviar um arquivo que o ATS não lê: PDF escaneado ou exportado como imagem, ou pesado demais.

  • Colocar foto, idade, estado civil ou documentos.

  • Listar tarefas ("Responsible for...") em vez de resultados.

  • Usar duas colunas, tabelas, caixas de texto, ícones, barras de nível ou o cabeçalho do Word para os contatos.

  • Abreviar cargos e nomes de empresa, ou usar no topo um cargo diferente do que a vaga pede.

  • Traduzir literalmente termos brasileiros, como "plain" para pleno ou "superior completo".

  • Misturar formatos de data ou deixar buracos sem explicação.

  • Deixar o portfólio privado, com senha ou com link quebrado.

  • Ter erros de inglês que um corretor gratuito pegaria.

  • Mandar o mesmo arquivo genérico para todas as vagas, ou dar o mesmo peso a tudo o que você já fez, sem deixar claro para onde vai.

checklist curriculo em ingles

Checklist antes de enviar

  • Uma ou no máximo duas páginas, uma coluna, sem tabelas, ícones nem caixas de texto.

  • Arquivo no formato que a vaga pede; se ela não disser, PDF com texto selecionável e menos de 2,5 MB.

  • Nome do arquivo no formato Nome-Sobrenome-Resume-Cargo.pdf.

  • Cargo-alvo no topo, igual ao título da vaga, e os últimos três anos apontando para ele, com promoções visíveis e o que você não quer mais fazer resumido.

  • Contato no corpo do documento, com +55, cidade, país, "Remote" e fuso.

  • Summary de três linhas com as palavras-chave principais da vaga.

  • Cada bullet com verbo de ação e um número.

  • Empresas brasileiras com uma linha de contexto.

  • Skills com a mesma grafia da vaga e siglas por extenso.

  • Formação traduzida e idiomas com nível real.

  • Teste do copiar e colar feito.

  • Links do LinkedIn e do portfólio abrindo sem login.

Perguntas frequentes

Currículo em inglês é resume ou CV?

Nos Estados Unidos e no Canadá, é resume: o documento de uma ou duas páginas. CV, por lá, é o documento acadêmico longo. No Reino Unido e em boa parte da Europa, CV é o nome do documento curto. Para vagas remotas, o formato é o mesmo nos dois casos.

O que é ATS no RH?

É o applicant tracking system, ou sistema ATS, o software que o RH usa para receber, organizar e filtrar as candidaturas de uma vaga. Ele lê o currículo, separa as informações em campos e deixa o recrutador pesquisar candidatos por cargo, skill e experiência. Greenhouse, Lever, Workday e iCIMS são os mais comuns lá fora; no Brasil, a Gupy é o exemplo mais conhecido.

O que é um currículo ATS friendly e como sei se o meu passa?

É um currículo que o sistema consegue ler do começo ao fim: uma coluna, títulos padrão, sem tabelas, ícones ou caixas de texto, com as palavras-chave da vaga. Para testar, copie o texto do PDF e cole num bloco de notas: se sair em ordem e completo, o sistema também lê. Depois, compare com a vaga numa ferramenta de análise de currículo ATS para ver as palavras que faltam.

O ATS reprova currículo automaticamente?

Raramente pelo formato. Na pesquisa da Enhancv com 25 recrutadores, 92% disseram que o sistema não descarta currículos sozinho por design ou falta de palavras-chave. O que elimina automaticamente são as perguntas do formulário, como localização e autorização de trabalho. O risco do currículo mal formatado é ser lido errado e não aparecer quando o recrutador pesquisa.

Currículo de duas colunas passa no ATS?

É arriscado. Muitos sistemas leem linha por linha e misturam o texto das duas colunas, e o Greenhouse cita colunas entre as causas de falha de leitura. Para candidatura online, use uma coluna só.

Currículo feito no Canva é ATS friendly?

Depende do modelo, e a maioria não é. Caixas de texto, colunas, ícones e fontes decorativas atrapalham a leitura, e alguns PDFs do Canva saem como imagem. Se usar, escolha um modelo de uma coluna, sem elementos gráficos, e faça o teste do copiar e colar antes de enviar.

Tem modelo de currículo ATS no Google Docs?

Tem. No Google Drive, clique em Novo, Documentos Google, De um modelo, e escolha um modelo de uma coluna. Ou copie o modelo de currículo ATS em inglês deste guia para um documento em branco e exporte em PDF.

Recrutador lê currículo em 7 segundos?

Na primeira passada, sim. Em 2018, um estudo de rastreamento ocular da Ladders mediu cerca de 7,4 segundos para o recrutador formar a primeira opinião. Por isso cargo, empresa e datas dos últimos cargos precisam contar a sua história sozinhos, antes de qualquer bullet.

Currículo em inglês precisa de foto?

Não. Em vagas dos Estados Unidos e do Canadá, foto, idade, estado civil e documentos ficam de fora. A sua foto aparece no LinkedIn.

Quantas páginas deve ter um currículo em inglês?

Uma página até uns dez anos de experiência, e no máximo duas para carreiras mais longas. O ATS não penaliza a segunda página, mas o recrutador lê primeiro o topo da primeira.

Devo mandar o currículo em PDF ou em Word?

Siga o que a vaga pedir. Se ela não disser, mande PDF gerado a partir de texto, que preserva o layout e é lido pelos ATS mais comuns, como o Greenhouse. O que o sistema não lê é PDF escaneado ou exportado como imagem. Em portais mais antigos, ou se a vaga pedir, use Word (.docx).

Como colocar o nível de inglês no currículo?

Use o quadro europeu (CEFR), como "English: Fluent (C1)", ou a nota de um exame como IELTS, TOEFL ou Duolingo English Test. Evite "intermediate". Se o seu nível ainda está abaixo do B2, é melhor não incluir a linha.

Como colocar a formação acadêmica no currículo em inglês?

Traduza o nome do curso (bacharelado vira Bachelor's degree, especialização vira Postgraduate Specialization, mestrado vira Master's degree) e mantenha o nome da universidade no original, com sigla e país. Informe só o ano de conclusão.

Posso usar o ChatGPT para traduzir meu currículo?

Pode, como ponto de partida. Peça para reescrever em formato de bullets com verbo de ação, proíba que ele invente números e revise o resultado. Tradução literal do currículo brasileiro mantém os vícios do formato daqui.

Como mostrar transição de carreira no currículo em inglês?

Diga a direção no resumo, mostre nos bullets do cargo antigo os resultados que se transferem e use a seção "Projects" para provar a nova competência. Tire das skills o que você não quer mais fazer.

Preciso colocar todas as experiências no currículo?

Não. Cubra os últimos 10 a 15 anos, dê mais espaço aos cargos dos últimos três anos e resuma o que é antigo ou está fora da sua história numa seção "Earlier Experience", com uma linha para cada. Nos anos recentes, não deixe buracos sem uma linha de contexto.

Preciso ter um currículo em português e outro em inglês?

Sim, se você também se candidata a vagas no Brasil. Para empresa de fora, mande sempre a versão em inglês, mesmo que o recrutador seja brasileiro.

Depois do currículo: os próximos passos

Esta é a segunda etapa da série do #jobnagringa:

  1. Encontrar a vaga: Encontre vagas home office pagando em dólar.

  2. Currículo em inglês: este guia.

  3. LinkedIn em inglês para o recrutador gringo te encontrar: palavras-chave, headline e About.

  4. Como se candidatar: cover letter e mensagem para o recrutador, com modelos em inglês.

  5. Entrevista em inglês para vaga remota: etapas e perguntas mais comuns. Enquanto isso, veja a preparação para entrevistas e os professores de inglês online.

  6. Recebi a proposta: salário em dólar, contractor ou EOR, e como negociar. Enquanto isso, veja a pesquisa salarial.

Monte seu currículo com o #jobnagringa

Dá para fazer tudo deste guia sozinho. Se quiser ir mais rápido, a plataforma do #jobnagringa tem um gerador de currículo no formato ATS e um Kanban para organizar suas candidaturas, junto com a curadoria de vagas remotas abertas a quem mora no Brasil e encontros com uma recrutadora internacional.

Fontes

jobnagringa: páginas de vagas remotas por área, consultadas em novembro de 2026.

Fontes da seção de trajetória: